| Saúde é um dos
principais eixos da Campanha Salarial Na
Campanha Salarial 2005, uma das principais lutas é
pela saúde da categoria. Durante a última
década milhares de bancários contraíram
doenças ocupacionais como LER/DORT e psicológicas
como a depressão, Síndrome do Pânico
e outras. Em nossa região são centenas de
casos de afastamento por incapacidade psicológica
para o trabalho. As causas são a extrema pressão
do banco, com a prática do assédio moral,
que tortura os trabalhadores para que trabalhem como máquinas
com o objetivo de obter lucros incessantes ao banqueiro,
ou mesmo para que peçam demissão sem direito
algum. Por isso, estão entre os eixos da minuta entregue
à Fenaban: Prevenção às Doenças
Ocupacionais, Política de Reabilitação
do Bancário, Isonomia dos/as Trabalhadores/as Afastados,
Metas Realistas discutidas com os Bancários/as e
Política de Combate ao Assédio Moral. A responsabilidade
é de todos. Vamos nos mobilizar para que nossa saúde
seja respeitada!
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O
Assédio Moral e a Categoria Bancária
Entrevista com “Teca Baiana” –
Psicóloga Social – PUC/SP
“Faz-se
necessário que a luta seja travada como
uma luta de classe e não cidadã.
O assédio moral se inscreve nas estratégias
do capital para sua perpetuação
e não simplesmente em processos de exclusão
de cidadania.”
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Informativo
Bancário:
O que é assédio
moral e por que só acontece com mais ênfase
nesta época de globalização?
Teca Baiana:
O assédio moral é
uma doença cruel, pois a humilhação
nem sempre é explícita, mas é concreta,
há diversas formas de rebaixar. Do ponto de vista
da Psicologia Social, o assédio não ocorre
porque a trabalhadora ou trabalhador sofre de uma doença
individual, de uma falha de caráter ou características
psicológicas X ou Y. O capital organiza determinadas
estratégias de atuação, que visam necessariamente
impedir a classe trabalhadora de se unir para se organizar,
de se reconhecer como indivíduos com direitos comuns,
como classe. Estas estratégias rebatem diferentemente
em sujeitos diferentes, com histórias de vida diferenciadas.
O capital em cada época histórica faz emergir
as emoções que lhe interessam (como chefes
autoritários) e cria situações concretíssimas
(como o medo do desemprego) e se aproveita de outras (o
momento de refluxo das representações de classe),
para implantar suas políticas de dominação.
Informativo Bancário: O assédio moral pode provocar
doenças?
Teca Baiana:
A
OMS(Organização Mundial de Saúde) considera
uma pessoa saudável quando tem um completo bem estar
biopsicofísico. A humilhação atinge
a auto-estima das trabalhadoras e trabalhadores, mina suas
emoções, faz com que ele ou ela se sinta indeciso(a),
confuso(a) e inseguro(a).
As conseqüências para a saúde da trabalhadora
e trabalhador são profundas, pois trabalhar se torna
um pesadelo e daí surgem e se agravam problemas de
saúde.
Informativo Bancário: Que tipo de problemas de saúde
geram o assédio moral?
Teca Baiana: •
Ocorre um aumento das doenças
profissionais, como LER, intoxicação, etc.
•
Compromete a identidade (que é
medida de valor do trabalho na sociedade), dignidade, a
auto-estima, provoca medo, angústia, depressão,
sentimento de inferioridade, insegurança, fragilização,
desejo e tentativas de suicídio.
•
Provoca conseqüências
na vida afetiva, social e no trabalho, pois desestabiliza
a pessoa que, aos poucos, em alguns casos, não suporta
a pressão, se sente culpada (o) e pede demissão.
•
Irritabilidade (por qualquer motivo
e com pessoas que nada têm a ver com os problemas:
família, amigos).
•
Queixas de dores generalizadas
por todo o corpo
•
Distúrbios do sono
•
Medo exagerado
•
Agravamento de dores pré-existentes
•
Depressão
•
Palpitações e tremores
•
Choro fácil
•
Aumento da pressão arterial
•
Diminuição da libido
•
Dores de cabeça
•
Distúrbios digestivos,
etc.
Informativo Bancário: Quais são as perspectivas
para a categoria bancária?
Teca Baiana:
Como na categoria bancária
o trabalho é organizado majoritariamente em torno
dos processos automativos, que tendem a dispensar força
de trabalho e substituí-la por máquinas, essa
categoria está mais sujeita ao fantasma da demissão,
uma das questões que mais favorecem o advento do
assédio moral, pois intimidam as trabalhadoras e
trabalhadores com o medo do desemprego.
As saídas existem, e devem ser construídas
necessariamente no coletivo. A luta sindical, apesar de
esbarrar em limites corporativos, inerentes à sua
própria natureza, pode ser travada até o limite,
forçando conquistas e organizando a classe nesse
processo. Faz-se necessário que a luta seja travada
como uma luta de classe e não como uma luta cidadã.
O assédio moral se inscreve nas estratégias
do capital para sua perpetuação e não
simplesmente em processos de exclusão de cidadania.
A resposta não está (em primeira instância)
em fortalecer os (as) trabalhadores (as) um(a) a um(a) –
apesar de não descartar a psicoterapia como uma das
saídas-, mas em lutar para mudar as condições
de trabalho dentro dos locais de trabalho, organizar as
trabalhadoras e trabalhadores dentro do local de trabalho
e não só mobilizá-los(as), fortalecer
as representações de classe e criar mecanismos
coletivos em que as trabalhadoras e trabalhadores se reconheçam
como sujeitos com o mesmo interesse, que é o fim
da opressão.
Informativo Bancário: Existe saída para a classe
trabalhadora?
Teca Baiana: As trabalhadoras e trabalhadores
têm em suas mãos a possibilidade de mudar sua
própria condição. As trabalhadoras
e trabalhadores produzem a riqueza do mundo, os patrões
não podem prescindir do trabalho humano, pode substituí-lo
por máquinas (trabalho morto), mas só até
um determinado limite.
Por isso, necessitamos fortalecer nas trabalhadoras e trabalhadores
a noção de que, como indivíduo particular,
o capital pode substituí-lo (José pode ser
demitido ou trocado por João ou Maria), mas como
sujeito coletivo – bancários, metalúrgicos,
estivadores – eles são imprescindíveis,
pois eles realizam o trabalho vivo. Neste sentido é
preciso travar as lutas pontuais de cada categoria, sem
esquecer a ligação destas com a luta mais
ampla pela construção do socialismo.
Pois, enquanto estivermos sob o jugo do sistema capitalista,
que transforma o trabalho – que foi responsável
pela nossa transformação de macacos em seres
humanos e é a gênese da vida – em instrumento
de morte, não haverá saídas definitivas
para aqueles que vivem da venda da sua força de trabalho.
-Terezinha
(Baiana) Martins dos Santos Souza é Psicóloga,
Mestre e Doutoranda em Psicologia Social pela PUC/SP, participante
do site:
www.assediomoral.org
e monitora do NEP – Núcleo
de Educação Popular 13 de Maio.
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